Hoje, mais uma vez presenciei um bandeiraço de um candidato a senador da República feito por dezenas de jovens, no principal corredor de acesso da capital ao centro da cidade, a Avenida Frei Serafim. Muitos, alegres, não se sabem se porque levantavam a bandeira do candidato ou se porque ao final iriam ter suas simbólicas contribuições financeiras pelo serviço prestado.
Durante este período eleitoral, foi comum presenciarmos os jovens serem usados nas caminhadas, carreatas e bandeiraço pelos políticos. Na semana passada presenciei também uma cena que até hoje está forte na minha memória, ainda bem que está apenas na minha memória, não registrei através de fotografia ou filmadora, porque senão seria aquela confusão. Um sindicalista, daqueles que antes levantava movimento em favor e em defesa dos mais humildes, dos explorados, dos “escravos”.
O homem parecia um feitor caminhado atrás dos que levavam as bandeiras na mão, exibindo o número e o nome, de um político de esquerda. Achei parecido também, com tropa do Exército. Eram duas filas, uma de um lado da área de passeio e a outra fila do outro lado e o homem lá no meio, tocando os jovens como quem tocava rebanho.
Enfim, pude perceber que somente quando se aproximam as eleições os candidatos lembram de fazer mil promessas de que irão desenvolver projetos que contemplem os jovens: no lazer, na saúde, na educação na geração de emprego e renda e em outros itens importantes à sobrevivência deles. Na realidade, é tudo balela. Vemos todos os dias os sofrimentos dos pais porque os filhos enveredam pelo mundo das drogas ou porque não têm oportunidades.
Vemos a educação do país falida, com projetos pedagógicos ultrapassados, escolas feias, carteiras quebradas, jornadas longas e sem atração para manter alunos com satisfação nos estudos. E ainda há quem defenda escola de tempo integral, quando sabemos que em países de primeiro mundo alunos estudam com computadores em cima da mesa, caderno é coisa ultrapassada. Eles interagem com o mundo todo trocando conhecimento.
Os políticos precisam pensar em desenvolvimento, partindo de uma educação infantil de qualidade e não um faz de conta, seguindo para uma educação também de qualidade para os jovens, incluindo no processo de formação conteúdos que os prendam na sala de aula, na escola, com satisfação. Vemos isto em algumas escolas particulares aqui no Piauí, onde crianças e jovens saem para a escola e não querem voltar para casa. E quando voltam, torcem para que chegue logo o dia seguinte para retornarem à escola.
Nas escolas públicas vemos o contrário, nossos jovens são heróis em suportarem uma jornada de cinco horas, às vezes horário dobrado, sem muita opção. Apenas a merenda escolar no horário do recreio. A prova do que eu falo está nos diários escolares, com a maioria de notas vermelhas. Ao invés de voltarem os olhos para os jovens somente neste período os políticos deveriam ter mais compromisso com eles.
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